Discurso de Antônio de Paiva Moura - 22/08/1989

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Neste momento vamos dar posse à quinta diretoria da Comissão Mineira de Folclore, sob a presidência do folclorista Domingo Diniz. Mais que as simples disputas eleitorais, o momento histórico e as necessidades imediatas foram determinantes na composição das diretorias da Comissão Mineira de Folclore. Em 1948, quando foi fundada a MCF, precisava ter em sua presidência o grande homem de ciência, cultura e letras que foi Aires da Mata Machado Filho. As questões pertinentes ao folclore regional de Minas Gerais e o tratamento científico da disciplina estiveram presentes em congressos e certames realizados em todo o país. Prestigiado pelos demais sócios fundadores Aires da Mata Machado foi o arquiteto que desenhou a planta da edificação da CMF.
Saul Martins, segundo presidente da CMF, de 1980 a 1983 foi o mestre de obras que acompanhou a edificação desde os primeiros riscos da planta até o acabamento. O responsável catedrático e cientista social não se limitou a feitoria da obra. Trabalhou também como operário. Foi em sua gestão que a CMF recebeu do governo estadual uma sede na Rua dos Carijós, 150, onde permaneceu de 1982 até o final do Governo Hélio Garcia. Foi naquela oportunidade que ali foi reinstalado o Museu de Folclore e uma biblioteca.
De 1983 a 1986, a presidência esteve a cargo do professor e estudioso de folclore, jornalista Carlos Filipe. Sua preocupação principal foi a de caracterizar e fortalecer a instituição, realizando seminários de debate sobre a filosofia da instituição e sobre a sua própria conduta dentro do momento em que vivemos. Carlos Filipe bem como seus auxiliares de diretoria se esforçou no sentido de preparar a instituição no enfrentamento da atualidade e do futuro.
A gestão que se iniciou em 22 de agosto de 1986 e que se encerra neste momento, coube a mim a honra da presidência. Tive a sorte de contar com as mãos laboriosas de Domingos Diniz, Zanoni Neves, Jupyra Duffles Barreto e com os conselheiros José Moreira de Souza, Silvio do Amaral Moreira e Antonio Henrique Weitzel. Nossa preocupação foi a de preservar as conquistas de nossos predecessores. Nosso esforço não foi só no sentido de ampliar o patrimônio físico, mas as demais conquistas e a manutenção do prestígio da entidade. Lutamos para que a CMF continuasse sendo uma entidade respeitada pelas entidades púbicas, pelo universo político, científico e social. Problemas existem, mas cremos que a diretoria que assume neste instante os resolverá com ajuda de todos os cidadãos que prezam a CMF.
Até agora caracterizamos a CMF pela ação de seus administradores. Não poderíamos deixar de levar em conta a atuação do corpo associado, desde os fundadores em 1948 até o 63º, Edmilson de Almeida, admitido em dezembro do ano passado. O trabalho isolado de cada um reflete no espírito da instituição. Na verdade qualquer comissão é sempre um grupo de pessoas. Somos missionários e temos afinidades com uma confraria irmanada no desejo de servir à sociedade. Somos comissionários porque nos reunimos em um grupo de trabalho chamado Comissão Mineira de Folclore. Da missão que foi passada pela UNESCO e pelo IBECC à CMF, esta nunca se evadiu.
Em 1954, o governo do Estado de Minas Gerais, Juscelino Kubitschek, foi firmado um convênio com o IBECC que foi aprovado pela Assembleia do Estado. O referido convênio que ainda continua em vigor, estipula a competência científica e técnica à CMF, nas questões que envolvem a cultura popular e o folclore. No âmbito do território do Estado de Minas Gerais. Outro convênio, não menos importante foi firmado entre a Campanha Nacional de Defesa de Folclore Brasileiro e o Estado de Minas, com interveniência da CMF, em 1976, que cria e instala o Museu do Folclore.
Pouco a Pouco as missões da Comissão Mineira de Folclore vão crescendo. Ela é uma sociedade científica. Como tal, começou a realizar cursos de Folclore ainda na gestão de Aires da Mata Machado. De 1986 a 1989 foram realizados três cursos, com aproximadamente, 90 concluintes. Promoveu inúmeros festivais em todo o território do Estado. Realizou 25 semanas de folclore. Promoveu a IV Festa Nacional do Folclore em Belo Horizonte, em 1976. Os folcloristas sócios da CMF publicaram mais de 60 livros e monografias, como resultado de pesquisas. Embora com dificuldades conseguiu publicar 12 boletins com resultado de estudos de seu associado. Recebemos de todo o Brasil os melhores elogios sobre a publicação do Boletim. Acaba de ser editado pela USP o livro do professor e arqueológico Pedro Paulo Funari, resultado de pesquisa sobre a cultura popular na antiga cidade de Pompéia. Nele fez duas referências de matérias publicadas no Boletim da Comissão Mineira de Folclore. Juntamente com a então Coordenadora da Cultura do Estado, realizou 3 simpósios sobre comunicação de pesquisa em folclore.
A nova diretoria da Comissão Mineira de Folclore vai receber uma edificação pronta como demonstramos por esse relato histórico. Mas os tempos mudam e as intempéries existem. Nosso corpo associado está consciente de que é participante da vida da entidade que ela se tornará cada vez mais forte. Formulamos à nova diretoria, sob a orientação de Domingos Diniz os nossos votos de pleno êxito na jornada que inicia.

Belo Horizonte, 22 de agosto de 1989
Antônio de Paiva Moura